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Aperfeiçoando a interação humana na educação a distância

Antes de sermos chacoalhados pela Covid-19 já sabíamos que a educação – principalmente a básica - precisava de ideias, práticas e ferramentas inovadoras. Quando declarada a pandemia, acompanhamos uma desestabilização do sistema educativo, mas que serviu, de certa forma, para sermos obrigados a enfrentar a difícil tarefa de reformular experiências educacionais e vivenciar um processo de educação a distância em faixas etárias em que ela não seria imaginada.


Naquele momento a educação a distância foi trazida também ao ensino básico, mostrando que, com os tipos certos de ferramentas práticas  para colaboração, aprendizado e crescimento,  algum alento poderia ser levado para uma população muito jovem.


À época escrevemos bastante sobre o tema. Já se sabe hoje que ter tido a necessidade de manter crianças fora da escola trouxe repercussões a longo prazo. Um estudo  realizado por pesquisadores da Universidade de Tulane, por exemplo, repercutido pela revista  Edsurge, descobriu que foram necessários dois anos letivos para que os alunos recuperassem o aprendizado perdido com o furacão Katrina. Algo parecido ocorreu com as crianças e adolescentes na pandemia.


O detalhe era que estes estudantes não estavam preparados para o processo da educação a distância. E o problema não era apenas pela necessidade de usar a tecnologia; o dificultador foi a simples transposição das aulas presenciais para as aulas remotas no método tradicional. As aulas meramente expositivas se tornaram também solitárias e, dependendo da idade e maturidade dos estudantes, também  desestimulantes, apesar do esforço de todos os envolvidos no processo. 


No caso dos alunos – mesmo os mais novos - familiarizados com as metodologias ativas, as aulas deram espaço para projetos mais criativos, jogos, tarefas colaborativas, debates e outras formas de aprendizado que colocaram os estudantes no centro de situações diversas para construir o conhecimento.


Nestes casos foram utilizadas propostas que prestigiavam a busca pelo saber e a interatividade com os outros colegas. A hierarquia com o professor, também diferente, gerou uma relação mais próxima com os estudantes.


Ou seja, mesmo para o aluno mais jovem, quando existe preparação, as lacunas existentes entre o ensino presencial e o ensino a distância podem ser reduzidas, o que é bastante salutar em casos necessários  de fechamento das escolas.


Em se tratando do ensino superior a história é bastante diferente.


No ensino superior o estudante já possui um certo grau de autorregulação, que vai sendo aprimorado a cada período, com o apoio dos professores e da instituição de ensino, favorecendo uma autonomia no aprender.


Com a utilização das metodologias ativas do EAD, temos um excelente caminho para desenvolvimento da autonomia, que, ao final, é uma das mais importantes capacidades que precisamos desenvolver, além de favorecer a criatividade,  o pensamento crítico e as habilidades socioemocionais,


Saber trabalhar o EAD é a chave para o sucesso deste método que beneficia milhões de estudantes ao redor do mundo.


No texto de Anthony Franco, publicado sob o título 4 Ways to Enhance Human Interaction in Socially-Distanced Learning, as dicas ajudam educadores a diminuir a divisão entre os mundos do ensino presencial e a distância.


Uma recomendação é que, apesar da tecnologia ser o instrumento base da relação entre professores, tutores e estudantes entre si, não basta simplesmente “adicionar mais tecnologia” ao mix instrucional.


Seja ensinando a distância ou nos momentos de encontros quando das avaliações, atividades em laboratórios, tutorias, seminários etc, geralmente realizados nos polos de apoio, é preciso considerar reservar um tempo – e fornecer os tipos certos de ferramentas práticas – para colaboração, aprendizado e crescimento.


Ter um feedback constante dos alunos também é importante nos bem construídos cursos de educação a distância. Alguns professores utilizam, por exemplo, formulários Google para avaliar como os estudantes estão construindo seu aprendizado, mas há várias outras ferramentas que permitem a expressão dos conhecimentos e sentimentos enquanto é expresso o processo de pensamento; e não apenas o trabalho que está sendo entregue ao final de uma atividade, por exemplo.


Este tipo de verificação também pode ocorrer de forma não digital, claro, nas reuniões presenciais costumeiras.


Uma orientação para o desenvolvimento saudável da interação entre os atores da educação a distância é que o professor projete experiências de aprendizagem para todos os estudantes. Ou seja, mesmo dentro do EAD, há como empregar abordagens diferentes para estilos de aprendizagem distintos, fazendo com que o ensino seja mais inclusivo.


Outra recomendação é priorizar ambientes de aprendizagem dinâmicos, onde os estudantes se sintam livres para se expressar e sejam ouvidos por seus professores e colegas. Desta forma podemos – de alguma maneira -   reconstruir uma sala de aula, local onde o estudante  reconhece o seu potencial e explore possibilidades.


Não podemos deixar de lado a figura do tutor no EAD. O tutor será o profissional que oferecerá suporte personalizado para o estudante, melhorando a experiência e a qualidade do aprendizado. Ele atua como uma ponte entre o estudante e o professor, sendo o responsável por atuar no suporte e garantia da aprendizagem. O professor continua como o responsável pela produção do material pedagógico, pela ministração das aulas e matérias e o tutor se disponibiliza para esclarecer dúvidas, aplicar algumas atividades extras e incentivar os estudos.


A política de promover a capacitação e a formação contínua de tutores garante o uso adequado de metodologias, de estratégias de comunicação e de relacionamento necessários à execução das melhores práticas no EAD.


Os tutores também colaboram no domínio da utilização do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e das TICs empregadas no processo de ensino-aprendizagem desses cursos, bem como potencializam as competências e as habilidades dos estudantes. Bons tutores são extremamente importantes neste modelo educacional e determinam o alcance do sucesso. 


Enfim, no EAD o aluno é o protagonista de sua aprendizagem, o que o torna mais autônomo e independente. Ele tem a possibilidade de estudar em seu próprio ritmo e possui maior controle sobre sua trajetória acadêmica. O ensino a distância também é um modelo de ensino que, por exigir o uso de novas tecnologias e ferramentas digitais, demanda que o aluno se mantenha atualizado em relação às demandas do mercado de trabalho.


Além disso, o amoldamento a estes novos métodos lapida as habilidades digitais do aluno, o que é bastante importante em diversas áreas profissionais. Em uma instituição de ensino cuja gestão atua para melhorar a interação entre professores, tutores e alunos, a dinâmica  de aulas e, consequentemente, do aprendizado tende a se aperfeiçoar cada dia mais.


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