Movimentos sociais apoiam instituições de ensino na Educação para o Desenvolvimento Sustentável

Em abril de 2021, a Cúpula de Líderes sobre o Clima, evento organizado pelo presidente norte-americano Joe Biden, reunindo chefes de Estado de 40 países, incluindo o Brasil, reforçou as posições das nações em relação ao enfrentamento das mudanças climáticas. O evento não é oficial das Nações Unidas, mas possui grande relevância internacional. Nele foram abordados os principais temas objeto de discussão da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP), realizado em novembro de 2021, no Reino Unido.


Tanto as principais economias do mundo, responsáveis pela emissão de CO2, como China, Índia e Rússia; as integrantes do Fórum de Energia e Clima de Grandes Economias – que reúne os 17 países que respondem por 80% das emissões globais de carbonos-, quanto as nações vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas e os países que lideram ações de preservação do meio ambiente participaram do debate.


Ao final, os EUA se comprometeram a reduzir emissões à metade até 2030 e aumentar significativamente o financiamento climático; as principais economias anunciaram metas de emissões para 2030 alinhadas às trajetórias de emissões líquidas zero; os países envolvidos também devem aumentar o financiamento climático para nações em desenvolvimento e suspender financiamento de carbono. Todos firmaram compromissos com planos verdes de recuperação econômica da Covid-19.


Vale lembrar que no atual momento a ciência aponta com clareza as evidências de uma ameaça existencial para a humanidade e a natureza, mas a agenda global da proteção ambiental, ainda que encontros e conferências sejam realizados, continua sendo tratada de forma isolada e conservadora.


No Brasil, o Escolas pelo Clima é um movimento social que nasceu da necessidade de articular a área da educação ao tema e a iniciativa, que já possui 127 escolas signatárias, é uma realização do Reconectta, negócio social certificado pelo Sistema B e especializado em auxiliar escolas a trabalharem a sustentabilidade como um valor em seu diferencial pedagógico e em sua cultura.


O projeto já conta com mais de 14 mil educadores e disponibiliza curadoria de conteúdo sobre educação climática, além de dar visibilidade a escolas comprometidas com a temática.


A instituição de ensino que deseja participar deve se tornar signatária do movimento, o que é feito gratuitamente. Posteriormente, recebe um kit institucional de comunicação e uma curadoria de conteúdos sobre educação climática, participa de uma comunidade com outras escolas signatárias e é convidada para eventos sobre o tema.


Instituições da rede pública ou privada de educação, de todos os ciclos e de qualquer cidade do Brasil, que se comprometam a incluir a temática das mudanças climáticas em pelo menos uma atividade pedagógica com os alunos e em uma formação de professores até o prazo definido pelo programa podem se juntar ao Movimento.


O que as escolas signatárias recebem?


  • O kit institucional de comunicação para promoção;

  • A exposição da logomarca/nome da instituição nas mídias especializadas do Movimento.

  • A curadoria de conteúdos sobre Educação Climática;

  • A participação na comunidade on-line e encontros exclusivos entre às escolas signatárias;

  • Convites para eventos e palestras sobre o tema;

  • Descontos e bolsas para formações especializadas no tema.


O que as escolas signatárias precisam fazer?


Até o final do prazo determinado pelo Movimento, incluir a temática das Mudanças Climáticas em:


  • Pelo menos uma atividade pedagógica com os alunos;

  • Pelo menos uma formação de professores.


Vantagens para todos


É muito importante que a instituição de ensino se comprometa a trabalhar as Mudanças Climáticas com seus alunos e educadores. Independentemente de aderir ao Movimento Escolas pelo Clima, de adesão e continuidade gratuitas, já publicamos que a Educação Ambiental consta de acordos internacionais como o artigo 19 da Declaração da ONU sobre o meio ambiente humano. No Brasil, está prevista na Constituição Brasileira e em outras leis, regulamentações e resoluções federais, além de Constituições Estaduais e Leis Municipais. Ela tem amparo legal e já é praticada há alguns anos na educação formal.


Em maio de 2021, a UNESCO organizou uma Conferência e recebeu contribuição de 2,8 mil atores envolvidos com a educação e o meio ambiente: todos se comprometeram a tomar medidas concretas para transformar a aprendizagem para a sobrevivência de nosso planeta ao adotar a Declaração de Berlim sobre Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS). Nesta mesma ocasião, a UNESCO fez um pedido para que a EDS seja um componente central de todos os sistemas educacionais, em todos os níveis, até 2025.


Estar envolvido com um grupo especializado, que faz curadoria de material adequado, fazer parte de encontros exclusivos e receber materiais de comunicação pode ser bastante interessante, lembrando que não há restrição de tipo de rede, ciclo ou localização geográfica: o Movimento é para todas as escolas de rede pública ou privada de educação, de todos os ciclos e de qualquer cidade do Brasil.

E ainda que a instituição de ensino já possua iniciativas na temática, pode assinar o compromisso.


“Precisamos agir de forma responsável com base no entendimento de que o que fazemos hoje pode ter implicações futuras para a vida das pessoas e para o planeta. A educação para o desenvolvimento sustentável (EDS) contribui para mudar a forma como as pessoas pensam e agem para alcançarmos um futuro sustentável. A EDS significa incluir questões-chave sobre o desenvolvimento sustentável no ensino e na aprendizagem.
A educação deve promover o pensamento crítico, a projeção de cenários futuros e a tomada de decisões de forma colaborativa, capacitando os estudantes a viver com responsabilidade e enfrentar os complexos desafios globais.” (Trecho do texto “Educação para o desenvolvimento sustentável”, da UNESCO)

A declaração da UNESCO de que a educação ambiental deva ser um componente curricular básico até 2025 reforça a necessidade de todas as instituições de ensino tomarem as rédeas da situação e já se adiantarem nesse propósito. São medidas concretas para transformar a aprendizagem, abrangendo o ensino, o treinamento profissional e o engajamento cívico.


A UNESCO também destaca a necessidade de implementar a Educação para o Desenvolvimento Sustentável com foco em habilidades cognitivas, aprendizagem social e emocional, habilidades de colaboração, resolução de problemas e construção de resiliência.


Projetos da UNESCO


Além do Movimento Escolas pelo Clima, as instituições de ensino também podem usufruir de cursos de formação de professores fornecidos pela UNESCO para possibilitar a integralização da ESD às suas práticas. Existem disponíveis cursos online para professores sobre a introdução à mudança climática e materiais pedagógicos para capacitação de professores em mudança climática e desenvolvimento sustentável, por exemplo, inclusive com versão adaptada para o contexto brasileiro.


Neste caso, a curadoria é da própria organização, que incentiva discussões em torno da Educação para o Desenvolvimento Sustentável ao organizar e participar de reuniões e eventos internacionais e publicar documentos e materiais educativos para a implementação da matéria. Um excelente exemplo são a série de vídeos de EDS para crianças de 7 a 11 anos.


Enfim, como muito bem colocado por Alexandre Ferreira de Oliveira, em Educação Ambiental Escolar, a Educação Ambiental, além de ser um processo educacional das questões ambientais, abrange os problemas socioeconômicos, políticos, culturais e históricos pela interação de uma forma ou de outra destes campos com o meio ambiente; dessa maneira, é um tema de alta interdisciplinaridade e contribui para o processo de letramento do aluno. Sua aplicação tem a capacidade de auxiliar na formação da cidadania do estudante, extrapolando o aprendizado tradicional e fomentando o crescimento do cidadão. Outro motivo de sua grande importância.


Leia mais:


A importância da alfabetização ambiental


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