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Pesquisa auxilia posicionamento de IES para fornecer experiências que atendam às demandas dos alunos

Pesquisa conduzida pela Hoper Educação juntamente com a Blackboard - intitulada Comparando os Mindsets Universitários Globais e as Expectativas dos Alunos: Fechando a Lacuna para Criar a Experiência Ideal do Aluno - ouviu estudantes e líderes universitários de dez países, incluindo Austrália, Brasil, Colômbia, Índia, Japão, Espanha, Arábia Saudita, África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos durante os meses de março e abril de 2022. Os resultados foram entregues agora e nos dão uma boa perspectiva do que esses atores esperam da educação de hoje e de amanhã.


Os principais temas da pesquisa são tecnologia e suporte ao aluno; outros tópicos críticos também nos ajudam a informar a direção do ensino superior no mundo. Os participantes são estudantes e os chamados líderes universitários, compreendidos na pesquisa como líderes seniores, ou seja, reitor, pró-reitor, diretor etc. em uma instituição de ensino superior, os quais chamaremos gestores.


Efeitos residuais da pandemia


Em março de 2020, com o decreto da pandemia, as IES se viram diante da necessidade de migrarem em massa para o chamado ensino remoto emergencial. Foi uma situação complexa, já que, pelo menos num primeiro momento, havia professores inexperientes e com suporte insuficiente. As universidades, ainda assim, fizeram progressos significativos do momento inicial até o aprendizado virtual e pensaram sobre como iriam atender às necessidades dos alunos a longo prazo.


De acordo com a pesquisa, 53% dos estudantes em todo o mundo afirmaram que a pandemia continua impactando sua educação hoje: 36% pausaram seus estudos ou reduziram o número de cursos, enquanto 20% mudaram de curso e 7% mudaram completamente de universidade. 69% dos estudantes estão preocupados porque a pandemia afetará suas carreiras, com 27% achando que encontrar um emprego pode ser bem mais difícil no geral.


Hoje, a maioria das universidades voltou às aulas presenciais, mas continuam sentindo os efeitos da COVID-19; seus alunos e gestores entendem que ainda há muito progresso a ser feito, sendo necessário que se façam ajustes na experiência de aprendizado.

Neste ponto, sugerimos a leitura do texto A transformação digital nas Instituições de Ensino Superior. Nele tratamos de material publicado pelo professor Luciano Sathler, que analisa o fato de que as aulas a distância no período da pandemia ajudaram a demonstrar o quanto a abordagem de ensino tradicional tem sido profundamente falha e como uma verdadeira transformação digital nas instituições de ensino – aplicando o genuíno EAD, por exemplo - pode beneficiar a Educação.


Voltando à pesquisa da Hoper Educação, é interessante o ponto de que as universidades provaram ser essenciais para a resiliência local e nacional durante a pandemia. É fato. Ainda que houvesse uma série de dificuldades, as universidades privadas se mobilizaram para continuar o processo educacional desde o primeiro momento e as públicas mantiveram as atividades de pesquisa e de divulgação.


Também é confirmado pela pesquisa que as barreiras financeiras e a economia foram os maiores desafios globais que afetaram o acesso equitativo ao ensino superior. Pagar pela educação foi considerada a barreira número um por 64% dos alunos, seguido por barreiras físicas, como localização ou transporte (44%) e barreiras tecnológicas, como falta de acesso ao Wi-Fi (32%).


Fora da pandemia, a economia continua tendo o maior impacto nos alunos em todas as regiões (73%), seguida pela falta de acesso à tecnologia (35%) e uma população crescente (29%). Os líderes universitários estão em sintonia com essas barreiras potenciais, reconhecendo a economia (44%) e a falta de acesso à tecnologia (33%) como os fatores com maior probabilidade de impactar os alunos em seu país. (Trecho da pesquisa Comparando os Mindsets Universitários Globais e as Expectativas dos Alunos: Fechando a Lacuna para Criar a Experiência Ideal do Aluno – Hoper Educação e Blackboard )

Ao redor do mundo


Globalmente, 35% dos alunos citaram a falta de acesso à tecnologia como um fator externo que afeta os alunos em seu país de origem. Países do Oriente Médio e da África, onde 54% dos alunos indicaram que isso era um desafio, tem os dados mais próximos dos da América Latina, na qual 37% dos alunos a reclamam.


Os dados informam que as universidades estão buscando acessibilidade para os estudantes, que possuem grandes expectativas desde quanto aos formatos de entrega do curso até a forma como eles recebem suporte e informações. E para aqueles que continuam online ou em formato híbrido, o suporte possui papel ainda mais significativo.


Depois de perceberem como funciona um curso online (não necessariamente EAD), os alunos estão procurando mais opções de cursos. Dos pesquisados globalmente:


  • 41% indicaram preferência por cursos totalmente online conduzidos de forma síncrona, ou seja, reunindo-se em um horário específico (16%), ou de forma assíncrona, permitindo que os alunos concluam os trabalhos quando estiverem disponíveis (25%).

  • Apenas 18% indicaram que preferem cursos totalmente presenciais.


No Brasil, tivemos pesquisa específica a respeito, realizada há um ano, entre 28 de julho e 04 de agosto de 2021, pela Educa Insights, em parceria com a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES). Os dados demonstraram que a maioria dos estudantes brasileiros preferia o sistema de ensino no formato híbrido quando do retorno às aulas presenciais, mesclando aulas em sala de aula em alguns dias da semana e aulas online nos demais. A pesquisa foi realizada com estudantes matriculados em cursos presenciais de instituições de ensino superior privadas.

Mais exatamente 55% dos entrevistados preferiam o modelo híbrido. Dentre esses, 38% acreditavam que a modalidade deveria atingir todas as disciplinas. Também dentre os estudantes que preferiam o ensino híbrido, 52% entendem que a prioridade nas atividades em sala devem ser as aulas práticas.


Na pesquisa que se analisa no momento há um reconhecimento claro dos gestores universitários que o número de cursos totalmente presenciais em suas instituições diminua até 2025, indicando investimento em aprendizado on-line e uma transição para um modelo misto.


Embora os alunos tenham demonstrado preferência pelos cursos online, os gestores indicam uma maior probabilidade de oferecer uma combinação de cursos online e presenciais no futuro próximo.


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Futuro


As respostas da pesquisa mostram que 46% dos alunos sentem que mais cursos estarão disponíveis online, enquanto 59% dos gestores universitários assim o percebem. 56% deles acreditam que terão opções de programas diferentes, mas apenas 12% dos alunos sentiram o mesmo. O ideal é que as IES concluam as mudanças desejadas ao longo dos próximos anos, garantindo que as expectativas sejam acolhidas.


Desafios


Fora da universidade os alunos enfrentam uma variedade de desafios e eles variam – claro - de acordo com o país ou região, mas todos foram exacerbados durante a pandemia. A questão financeira é sempre um problema, com os estudantes precisando financiar sua educação, pagar empréstimos estudantis e outras dívidas, se empenhar para ter acesso à tecnologia necessária para os estudos e superar obstáculos com o acesso à habitação ou comida.


Mas estatisticamente os três principais desafios vivenciados pelos estudantes no último ano foram relacionados à sua capacidade mental ou emocional (43%), poder financiar a própria educação (39%) e encontrar um emprego ou estágio (35%).


Não há como a pandemia não ter acelerado todos esses problemas e acrescentado alguns outros.

Um problema apontado no estudo e que entendemos interessante ressaltar é que apenas 15% dos gestores estão preocupados em ajudar os alunos a encontrar empregos ou estágios. Isso indica uma boa oportunidade para as universidades: elas devem considerar aumentar recursos para esse suporte pessoal dos alunos e fazer disso um diferencial.


Como a instituição responde aos desafios dos alunos


Na pesquisa existe uma discrepância em como gestores e estudantes enxergam o que as instituições de ensino têm feito pelos alunos em momentos de dificuldades.


No montante geral, 81% dos gestores universitários sentem que sua instituição respondeu aos desafios dos alunos de forma justa ou muito eficaz, enquanto apenas 67% dos alunos expressaram satisfação com a resposta da universidade aos desafios. Embora ambos pareçam estar alinhados sobre quais são os desafios em si, essa diferença talvez esteja atrelada a quais recursos e canais de comunicação que as universidades estão utilizando. De fato, como conclui a pesquisa nesse tópico, aumentar o apoio aos alunos começa com a exata compreensão do que os alunos desejam (e do que estão recebendo).


E, a propósito, os dados mostram que 40% dos estudantes concordam fortemente que gostariam de receber mais apoio de sua universidade para serem bem-sucedidos, enquanto apenas 22% dos gestores acreditam que os alunos gostariam de mais apoio.


Isso mostra que talvez os alunos de hoje – e de amanhã – queiram mais apoio do que o que as universidades estão planejando oferecer atualmente. Investir em recursos para apoiar os alunos na solicitação e obtenção de apoio financeiro foi a principal área em que as universidades planejam investir este ano. As respostas indicam que 53% dos alunos concordam que recursos adicionais nesta área os ajudariam a enfrentar melhor os desafios, mostrando alinhamento entre dois grupos. (Trecho da pesquisa Comparando os Mindsets Universitários Globais e as Expectativas dos Alunos: Fechando a Lacuna para Criar a Experiência Ideal do Aluno – Hoper Educação e Blackboard)

Carreira


Ponto controverso entre estudantes e gestores. A maioria dos alunos – 58% – deseja ajuda para garantir um emprego após a formatura, enquanto apenas 15% dos gestores responderam que a instituição tem planos para investir nessa área. Mas, no caso, os dados mostram que 69% dos estudantes estão preocupados com o impacto da pandemia em suas carreiras, o que mostra uma área de necessidade e uma oportunidade para as universidades ajudarem seus alunos na transição à força de trabalho.


Mais uma vez, as instituições de ensino superior devem considerar aumentar recursos para esse suporte específico aos alunos e fazer disso um diferencial.


Comunicação


Neste quesito encontramos uma possível questão geracional.


É que os alunos esperam tempos de resposta oriundos da instituição para resolver problemas acadêmicos e administrativos muito mais rápidos do que os gestores entendem convenientes. Muitos alunos, pelo exemplo dado na pesquisa, esperam que seu orientador acadêmico responda dentro de algumas horas, enquanto os gestores entendem que a resposta no mesmo dia é aceitável.


Muitos estudantes indicam que algumas respostas demoram até uma semana ou mais, o que seria inaceitável nos tempos de hoje e isso significa mais do que uma oportunidade: uma necessidade de rever os processos de comunicação.


Em relação aos professores, 63% dos alunos concordam que a equipe estava disponível para fornecer apoio e 70% concordaram que o corpo docente conversa com eles regularmente. Aqui as percepções de engajamento do corpo docente estão afinadas entre gestores e estudantes.


Melhorias


O que a pesquisa deixa bem claro é que, em alguns assuntos, existe uma lacuna entre as expectativas dos alunos e como os gestores das instituições de ensino se sentem em relação ao atendimento dessas expectativas, sendo importante, portanto, como conclusão, que cada instituição conheça seu público, conheça as necessidades dos seus alunos e, dessa forma, alinhe os trabalhos e reforce os recursos para atendê-las.


Providência que nada mais é que uma gestão estratégica que poderá inserir novos elementos de suporte dedicados aos estudantes no futuro, angariando mais satisfação por parte dos discentes e, por consequência, maior e melhor reconhecimento em relação às IES.


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