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Soft Skills são fundamentais também na gestão das instituições de ensino

Em tradução livre de texto publicado na plataforma de cursos do Linkedin, o Linkedin Learning, vemos que as soft skills são as habilidades interpessoais que nos permitem avançar em nossos trabalhos atuais ou, se desejarmos, buscar novas oportunidades e desafios. A expressão também pode ser traduzida de forma mais direta como habilidades sociais, habilidades socioemocionais ou habilidades maleáveis.

São o contraponto das hard skills, habilidades tangíveis que podem ser aprendidas e facilmente quantificadas. As hard skills são adquiridas em sala de aula, em livros e no trabalho e podem ser avaliadas durante os processos seletivos e comparadas com as dos outros candidatos. Dependendo de cada momento, diferentes hard skills são procuradas e desejadas pelo mercado de trabalho.

Anos 90

A importância das competências socioemocionais ganhou corpo no mundo inteiro ao longo das últimas décadas. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, nos anos 90 propôs o Paradigma do Desenvolvimento Humano e houve a publicação do Relatório Jacques Delors, organizado pela Unesco. Esses dois materiais foram intensamente debatidos e representaram um importante passo para a compreensão do que seria o ser humano em sua integralidade.

O Paradigma do Desenvolvimento Humano aponta a educação como oportunidade central para ajudar um indivíduo a transformar seu potencial em competências e o relatório da Unesco sugeriu um sistema de ensino fundado em quatro pilares:

  • aprender a conhecer;

  • aprender a fazer,

  • aprender a ser; e

  • aprender a conviver.

Podemos dizer que os debates foram revolucionários na área e, a partir de então, especialistas de outras áreas passaram a definir quais seriam as competências necessárias para que fossem alcançados os quatro pilares propostos e se haveria outros grandes objetivos para o aprendizado.

Para isso, os estudos investigaram a relação entre desenvolvimento socioemocional e desenvolvimento cognitivo, bem como o elo de ambos com os diversos contextos de aprendizagem (escola, família, comunidade, ambiente de trabalho e etc) e com diversos indicadores de bem-estar ao longo da vida (renda, saúde e segurança, entre outras). (Especial Socioemocionais, Revista Porvir)

Já foi verificado que as competências e habilidades listadas por essas pesquisas estão conectadas com as chamadas soft skills e se relacionam com o conceito de capital social, que é determinado pelo nível de cooperação entre integrantes de uma comunidade.

Demanda de soft skills

Quais habilidades sociais a força de trabalho mais valoriza? A plataforma Linkedin, que analisa dados de milhões de profissionais e empregos, costuma gerar periodicamente uma lista, revelando as habilidades em demanda.

No topo da lista de 2020 estão criatividade, colaboração, persuasão e inteligência emocional – todas as habilidades que demonstram como trabalhamos em grupo e desenvolvemos novos projetos. De fato, são habilidades sociais que vem permanecendo em seus primeiros lugares ano após ano, de acordo com o texto, reforçando que são aptidões verdadeiramente perenes e desejáveis em todos os profissionais.

No caso dos professores, como fica sua formação e desenvolvimento?

Existem soft skills que são diretamente relacionadas ao papel do educador, principalmente neste momento posterior aos piores cenários da pandemia; são aquelas que fazem com que o professor seja mais humano e se coloque no lugar do aluno, compreendendo suas demandas. E para que isso aconteça, o profissional precisa estar bem com as próprias emoções e atue com empatia.

O longo período de aulas online foi de muito aprendizado; o aparato tecnológico pode ter feito com que alguns profissionais tornassem o processo de ensino-aprendizagem mais mecânico e frio. É nesse momento que a gestão das instituições de ensino precisa atuar, chamando à reflexão e ao desenvolvimento dessas habilidades.

Adaptabilidade

O Linkedin listou outra soft skill como desejável, além das já citadas criatividade, colaboração, persuasão e inteligência emocional. É a adaptabilidade.

A publicação de janeiro de 2020 afirma que a única constante na vida — e nos negócios — é a mudança. E que para se destacar em 2020 seria necessário abraçar essa realidade e certificar-se de aparecer com uma atitude positiva e profissionalismo de mente aberta, especialmente em situações estressantes.

Em março do mesmo ano tivemos o decreto da pandemia pela OMS; a adaptabilidade como uma habilidade socioemocional foi um divisor de águas naquele momento.

Tecnologia como aliada

A tecnologia deve ser uma aliada, sempre com equilíbrio, e o professor precisa desenvolver habilidades para lidar com ela, sem resistências.

Como bem escrito por Sandra Medeiros no texto Soft Skills para educadores, estar aberto à tecnologia:

... acaba desenvolvendo outra competência, que é a de promover estratégias de aprendizado mais ativo e interessante para o aluno. Ficar atento às novas tendências (e isso envolve formação contínua, aprendizado ao longo da vida – lifelong learning –, afinal, o professor nunca para de aprender) permite desenvolver a criatividade, originalidade e iniciativa, comportamentos, esses, que promovem a inovação.

De forma geral, o relatório O Futuro do Trabalho, do Fórum Econômico Mundial, especifica 10 habilidades/competências mais desejadas nos profissionais da atualidade:

  • Inovação

  • Aprendizado ativo e estratégias de aprendizado

  • Criatividade, originalidade e iniciativa

  • Tecnologia, design de programação

  • Pensamento crítico e analítico

  • Resolução de problemas complexos

  • Liderança e influência social

  • Inteligência emocional

  • Racionalidade

  • Análise de sistemas

Se o professor é o profissional responsável por formar todos os outros profissionais, é interessante que ele conheça as soft skills mais desejáveis e possa ajudar a desenvolver e cultivar novas competências socioemocionais em seus estudantes.

E se ele possui as soft skills necessárias, seu papel será não só o de transmitir o conteúdo teórico/prático (ou de facilitar o aprendizado do conteúdo teórico/prático) como o de trazer uma mais profunda formação ética e humana para seus alunos.

São dois pontos: o desenvolvimento das soft skills no grupo de educadores da instituição de ensino e a capacidade desse grupo de educadores de transmitir essas habilidades como ensinamento ao grupo de estudantes.

Não é sem razão que organismos internacionais como a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) passaram a produzir conhecimento para apoiar governos e instituições a desenvolverem políticas e práticas voltadas intencionalmente para o fomento dessas competências, com apoio de métodos específicos para este fim, qual seja, levar para as escolas o desenvolvimento de habilidades socioemocionais.

Desafios

É curioso que ainda temos uma série de desafios e que o primeiro deles ainda seja achar um consenso claro sobre quais sejam as soft skills. Teoricamente são mais fáceis de especificar, mas na prática diária ainda encontramos barreiras.

Medir as soft skills nos colaboradores também ainda é complicado, bem como desenvolver metodologias para treiná-las e medir sua evolução. Outro desafio, como descrito no texto de Andrea Lorio, A importância das Soft Skills, e por que nunca foram prioridade, é atrelar seu impacto nos resultados de negócio e achar correlações entre comportamentos e resultados.

Fato que as soft skills não são restritas ao contexto do mundo corporativo: as escolas já estão começando a perceber que tanto professores quanto alunos precisam desenvolver as habilidades interpessoais, cada um em seu contexto e modo.

As competências necessárias dos profissionais de hoje e do futuro serão cada vez mais comportamentais, de modo que a construção desse trabalho - realizado a médio e longo prazo - será sem dúvidas recompensado.


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