A importância da alfabetização ambiental

A Organização das Nações Unidas vem promovendo várias iniciativas para tentar barrar as mudanças climáticas. Em 2012 ela promoveu pela primeira vez os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável e dentre eles consta a ação contra a mudança global do clima.


Não existe e não existirá sucesso neste tipo de iniciativa se não houver consciência ambiental das populações civis, na imensa maioria das vezes alheia aos acordos políticos. Ou seja, é necessário o desenvolvimento de uma cultura de cuidado do clima, que pressupõe a alfabetização ambiental.


Alfabetização Ambiental


Antes de mais nada, a Educação Ambiental consta de acordos internacionais como o artigo 19 da Declaração da ONU sobre o meio ambiente humano. No Brasil, está prevista na Constituição Brasileira e em outras leis, regulamentações e resoluções federais, além de Constituições Estaduais e Leis Municipais. Ela tem amparo legal e já é praticada há alguns anos na educação formal.


A Alfabetização Ambiental, por sua vez, é tida como a capacidade de perceber e interpretar a saúde relativa dos sistemas ambientais e de tomar atitudes apropriadas para a manutenção, restauração, preservação ou melhoramento da saúde destes sistemas.


A utilização da Alfabetização ambiental, nos dizeres de Fernando Jaeger Soares e Antonio Batista Pereira, em pesquisa sobre o tema, possibilita a identificação de duas categorias: os analfabetos ambientais, ou aquele que é ambientalmente analfabeto, e o ambientalmente alfabetizado, o que pressupõe a possibilidade de passar de uma para outra categoria e a possibilidade de saber quando em uma ou em outra.


No caso, a Alfabetização Ambiental vai se construir através da Educação Ambiental (EA) e é uma referência, um indicador de menor e maior competência em relação ao assunto.


Organização das Nações Unidas


A ONU, em sua aposta educativa para as mudanças climáticas, entende que é igualmente importante progredir em campos como a redução das emissões de gases de efeito estufa e na criação de políticas governamentais eficientes, como proporcionar educação e formação para conscientizar o maior público possível.


Porque, apesar de sabermos que, em boa medida, a destruição da natureza passa pelas mãos das grandes empresas e dos governos complacentes, precisamos de cidadãos conscientes desse sistema, inclusive para a promoção da cobrança de mudança. A recomendação, portanto, é de investir numa mudança de mentalidade, conscientizando os grupos humanos da necessidade de adotar novos pontos de vista e novas posturas diante dos dilemas.


Nesse passo, especialistas destacam a importância de divulgar amplamente conceitos como aquecimento global, efeito estufa, empregos e impostos verdes, energias renováveis, pegada de carbono, desmatamento, reciclagem, pegada hídrica e alimentação sustentável, por exemplo. Isso não é possível sem uma alfabetização ambiental, acompanhada de uma cultura de cuidado do clima, que deve ser tratada como matéria obrigatória nas instituições de ensino.


Em maio desse ano, a UNESCO organizou uma Conferência virtual em cooperação com o Ministério Federal de Educação e Pesquisa da Alemanha e recebeu mais de 80 ministros e vice-ministros, bem como 2,8 mil atores envolvidos com a educação e o meio ambiente. Todos se comprometeram a tomar medidas concretas para transformar a aprendizagem para a sobrevivência de nosso planeta ao adotar a Declaração de Berlim sobre Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS).


Nesta ocasião, a UNESCO fez um pedido para que a EDS seja um componente central de todos os sistemas educacionais, em todos os níveis, até 2025.


A Itália, a propósito, já havia estabelecido medida nesse sentido e ainda dispôs que outras matérias como geografia, matemática e física serão ensinadas considerando a perspectiva sustentável e ecológica. A decisão foi do final de 2019 e desde o primeiro semestre de 2020 "Mudanças Climáticas" é matéria obrigatória nas escolas.


Voltando à alfabetização ambiental, é claro que seu ensino em sala de aula deve ser adaptado de acordo com a idade e maturidade das crianças. Deve ser teórica, mas também prática e despertar interesse.


Com o tempo, o aluno poderá entender as consequências das alterações no ambiente, bem como será capaz de compreendê-las como algo produzido pela mão humana; os contextos históricos em que os danos ocorreram e os diferentes caminhos de superação que comportam. O debate na escola, dessa maneira, pode e deve incluir a dimensão política e a perspectiva da busca de soluções para situações reais, como a sobrevivência de pescadores na época da desova dos peixes, a falta de saneamento básico adequado ou as enchentes que tantos danos trazem à população.


A principal função do trabalho com o tema meio ambiente é contribuir para a formação de cidadãos plenos, que possam decidir e atuar na realidade socioambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar individual e da sociedade, local e global. Mais do que informações e conceitos, a escola precisa apresentar as atitudes que o cidadão deve ter em sociedade para contribuir para o meio ambiente; não só nas atitudes corriqueiras do dia-a-dia, mas, por exemplo, a possibilidade de participação em ONGs voltadas para o tema. O aluno precisa saber como e quando poderá colocar em prática sua capacidade de atuação.


Educação Ambiental na BNCC


Pesquisa publicada sob o título “O lugar da educação ambiental na nova Base Nacional Comum Curricular para o ensino médio” demonstra que a nova BNCC não trata a Educação Ambiental como elemento fundamental para a formação integral dos estudantes da Educação Básica, onde se deve construir a base da conscientização da nova geração.


Ela explica que, previsto pela Lei nº 13.415/2017, o currículo diversificado e flexível do novo Ensino Médio está composto pela BNCC e por itinerários formativos e que, dentro desse contexto, a nova BNCC não estabelece a Educação Ambiental como área de conhecimento. Porém, dentre os itinerários formativos haveria a possibilidade de inserir a EA, pois uma parte da formação do aluno (40%) será voltada para a ênfase por ele escolhida, e a outra parte (60%), para a formação comum definida pela própria BNCC.


De toda sorte, as pesquisadoras demonstram que no campo educacional ainda existem muitas críticas em relação ao documento, notadamente a ausência da EA em sua versão definitiva, o que demonstra uma omissão vergonhosa em relação aos temas relacionados ao Meio Ambiente.


A solução seria os sistemas e redes de ensino, assim como as escolas, em suas respectivas esferas de autonomia e competência, incorporar aos currículos e às propostas pedagógicas a abordagem de temas contemporâneos que afetam a vida humana em escala local, regional e global, preferencialmente de forma transversal e integradora. E, dessa forma, inserir em todos os momentos a educação ambiental.


Pensar sobre a geração do futuro significa educar a jovem; a alfabetização ambiental é o pontapé inicial.


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