E-proctoring: a supervisão eletrônica ou remota de exames

Atualizado: Mar 16

A Inteligência artificial pode ser uma aliada das Instituições de Ensino. Quando do início do isolamento causado pela pandemia Covid-19, por exemplo, as avaliações eram um dificultador no processo do ensino remoto.


No decorrer dos meses iniciais de pandemia, um software que permite que os alunos façam provas a distância, de forma legítima, começou a ser utilizado por instituições e alunos por todo o Brasil.


Em verdade, a Mercer Mettl, área tecnológica da empresa Mercer, já apostava na tecnologia e já a havia trazido ao Brasil logo no início de 2020. A pandemia, claro, abriu portas e trouxe agilidade na implementação do sistema, permitindo que escolas, universidades e fundações o aplicassem em vestibulares e provas.


Processos seletivos de empresas também foram realizados usando a ferramenta, que permite acompanhar de perto os trâmites necessários e garantir que ele aconteça da maneira mais próxima do presencial.


A plataforma mencionada propicia apresentar as perguntas, de múltipla escolha ou não, e o usuário - que é a instituição que aplicará a avaliação - faz a administração e a personalização de todo o processo.


De acordo com a responsável pela empresa que atua no país, "há uma tecnologia de proctoring (fiscalização de provas) que monitora o aluno com inteligência artificial para detectar se a pessoa saiu do lugar, se tem alguém perto, etc. Assim, o sistema levanta flags e sinaliza que a pessoa está tendo um comportamento não esperado no momento da prova".


E-proctoring
A supervisão eletrônica, também conhecida como supervisão remota ou supervisão remota, é uma forma de supervisão de exame que envolve o monitoramento do comportamento do aluno durante os exames administrados eletronicamente, incluindo aqueles dados como parte do e-learning ou aprendizado remoto.

Existe também a possibilidade de o usuário optar por um fiscal humano, que acompanha os alunos em uma sala virtual. Amparado pelo sistema, o fiscal pode se comunicar com os alunos via chat e no final da prova é gerado um relatório com o resultado. O estudante, em ambos os casos, precisa possuir um computador desktop ou de um notebook com acesso à internet, webcam, integrada ou não, e microfone.


A plataforma promete às instituições de ensino um sistema antifraude seguro e adaptado às suas necessidades, rico em recursos com variedade de provas e simulados e baseado também em monitoramento humano.


Garante 95% de precisão na detecção de fraude e anuncia utilização de navegador que desativa sites e softwares inadequados no momento da avaliação. Para isso, fazem verificação por e-mail, prova de identidade e a chamada One-time password (OTP), que permite validar a autenticação através do envio de uma SMS com um código de uso único para o telefone celular do aluno, por exemplo.


Casos concretos no Brasil


Em julho 2020, o INSPER realizou pela primeira vez seu vestibular de forma remota, com auxílio da IA. Obviamente, as provas foram aplicadas a distância para garantir a segurança dos candidatos e da equipe da instituição no período de distanciamento social ocasionado pela pandemia de Covid-19. As provas online foram realizadas por meio de uma plataforma que garantiu a segurança e qualidade da aplicação.


No caso dessa instituição, houve um monitoramento digital dos candidatos durante a prova, verificação oral das questões, banco de questões e entrevistas de consistência para garantir a honestidade intelectual do certame, tudo de forma remota. Ao que tudo indica, a escolha da solução foi aprovada por todas as partes, pois o vestibular manteve a avaliação das áreas de conhecimento e de competências e a única alteração foi em relação ao formato, implementado por meio de novas tecnologias e processos.


Seis dias antes da primeira fase do processo seletivo, o candidato forneceu documentação pessoal com foto recente, além dos documentos tradicionalmente requisitados, e pôde acessar o sistema informado pelo INSPER, instalar um browser de segurança e se familiarizar com o programa, realizando um simulado.


No dia da prova, o candidato deveria estar sozinho em um ambiente silencioso e manter ao seu redor alimentos e líquidos em embalagens e garrafas transparentes. O rascunho foi feito diretamente no programa e algoritmos de inteligência artificial monitoravam o candidato durante todo o tempo. Caso houvesse a necessidade de uma pausa, inclusive para resolver alguma questão de queda de conexão ou de energia, havia uma janela de tempo adicional para a realização da prova. A redação também foi feita em ambiente virtual.


A PUC-Campinas realizou, nos últimos dias 6 e 8 de novembro, a edição 2021 do Vestibular, que contou com a aplicação de provas de forma on-line e presencial. O candidato que optou pela modalidade remota, oferecida pela primeira vez na Universidade em função da Covid-19, foi monitorado em tempo real por meio da utilização de equipamentos de inteligência artificial.


O processo seletivo à distância ocorreu por intermédio de uma plataforma virtual que assegura a inviolabilidade da prova e o sigilo das respostas individuais. Para garantir a realização e a lisura do exame, a Universidade contou com cerca de 140 pessoas, divididas em equipes de apoio para o auxílio de candidatos com dificuldades de acesso, bem como de fiscais para o monitoramento da avaliação. Qualquer tentativa de violação acarretaria desclassificação imediata.


Enfim, várias outras faculdades e universidades já realizam vestibulares online, dentre elas a Faculdade Anhanguera, a Unopar, a Faculdade Pitágoras, a Faculdade de Macapá (FAMA), a UNIDERP, a Unime, dentre outras. A lista é apenas exemplificativa.


Além dos vestibulares, muitas instituições de ensino, como a UniAbrapp, o IBMEC e a UNINTER também estão utilizando a tecnologia para aplicação das provas on-line em determinados cursos. A ferramenta, como ocorre nos vestibulares, garante a identificação de quem está realizando pela leitura facial e analisa a movimentação do aluno para identificar possíveis movimentos de consulta de materiais e de dispositivos não permitidos. A prova é bloqueada caso seja identificado algum movimento inadequado.


E-proctoring pelo mundo - controvérsias


O e-proctoring já vinha sendo utilizado em muitas universidades antes da pandemia, e, é claro, muitas outras procuraram os fornecedores comerciais do serviço em razão do isolamento forçado.


Com o aumento da utilização do sistema, algumas preocupações em relação ao uso do serviço vieram à tona, como violações de privacidade dos alunos, bem como um impacto negativo em sua saúde mental.


Muitas universidades se esforçam para levar em consideração esta última circunstância, mas alguns estudantes continuam entendendo que este tipo de vigilância não proporciona uma experiência agradável.


Os alunos argumentam que os sistemas de teste online os deixam com medo de agir de forma que aparentem trapacear e que, quando vigiados dessa maneira, ficam ansiosos e com desempenho aquém do esperado.

Algumas evidências, de outro lado, sugerem que é possível contornar os softwares, utilizando-os de forma fraudulenta, e também já existem relatos de empresas e-proctoring sendo hackeadas, resultando na liberação de centenas de milhares de dados de usuários, o que inclui dados pessoais dos estudantes.


Fato é que, com um maior volume de exames sendo realizados de forma remota, muitos estudantes universitários se demonstraram incomodados com o software de supervisão e protestaram contra o uso desse serviço em suas instituições de ensino superior.


A Proctorio, por exemplo, usa software de detecção de olhar, detecção de rosto e monitoramento por computador para sinalizar os alunos quanto a qualquer movimento de cabeça "anormal", movimento do mouse, deslocamento do olho, redimensionamento da janela do computador, abertura de guia, rolagem, clique, digitação e cópias e pastas. O estudante pode ser sinalizado por terminar o teste muito rápido ou muito devagar, clicando muito ou não o suficiente.


Se a câmera perceber uma outra pessoa ao fundo, por exemplo, um aluno pode ser sinalizado por ter “vários rostos detectados”. E se outra pessoa fizer o teste na mesma rede é um potencial “conluio para fraude”. Um quarto muito barulhento, a internet irregular, câmera com defeito: tudo isso pode sinalizar como fraude para o sistema.


Enfim, os alunos se preocupam com o aumento das alegações de má conduta acadêmica, além do desconforto a respeito dos critérios utilizados pela máquina enquanto os observam em prova.