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O Mapa do Ensino Superior no Brasil do ano de 2025

A 15ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil, publicação anual do Instituto Semesp, apresenta um panorama abrangente da educação superior pública e privada no país, reunindo dados nacionais e regionais sobre matrículas, ingressantes, concluintes, evasão, financiamento estudantil, mensalidades, empregabilidade e renda. O estudo utiliza diversas bases de dados, entre elas os Censos da Educação Superior do Inep (2009 a 2023), PNAD/IBGE (2017 a 2024), microdados do Enem e Enade (2019 a 2022), SisProuni, Novo Caged (2020 a 2024), RAIS (2019 a 2022), Pesquisa de Mensalidades do Instituto Semesp 2024 e Big Data Analytics.


Entre os principais resultados, destaca-se o crescimento de 5,6% no total de matrículas de 2022 para 2023, impulsionado pela rede privada, que registrou aumento de 7,3%. A participação da rede privada segue em ascensão e atingiu 79,3% das matrículas. Esse movimento está associado, sobretudo, à expansão da educação a distância (EaD), ainda que o ritmo de crescimento dessa modalidade tenha desacelerado: o aumento foi de 13,4% em 2023, abaixo dos índices observados nos anos anteriores. Já os cursos presenciais registraram queda de 1,0% nas matrículas, mas apresentaram crescimento de 1,4% no número de ingressantes, impulsionado pela rede pública, que teve alta de 5,3%.


Presencial x EaD


As modalidades presencial e EaD estão praticamente equilibradas em número de matrículas: 50,7% concentram-se no ensino presencial e 49,3% na EaD, esta última com crescimento de 3,4 pontos percentuais em relação a 2022. A tendência indica que o próximo Censo poderá apontar predominância do EaD. Apesar do crescimento geral do ensino superior, a baixa taxa de escolarização líquida entre jovens de 18 a 24 anos permanece como desafio, evidenciando a limitação do alcance da modalidade a distância junto ao público mais jovem.


O sistema atende atualmente 9,98 milhões de estudantes matriculados em faculdades, centros universitários e universidades. Mesmo com o aumento do acesso, persistem desafios relacionados à permanência, sobretudo em razão das altas taxas de evasão, que em alguns cursos superam 60%. Isso evidencia a necessidade de políticas públicas mais robustas voltadas à permanência estudantil.


Entre 2013 e 2023, a rede pública registrou crescimento de apenas 7,1% no total de matrículas, enquanto a rede privada aumentou 46,7% no mesmo período. A rede privada concentra 95,9% das matrículas do EaD e 63,1% das matrículas presenciais. O avanço do EaD reflete a maior presença das tecnologias e a facilidade de ingresso associada a mensalidades mais acessíveis. Em 2023, as matrículas EaD cresceram 13,4%, enquanto os cursos presenciais tiveram queda de 1,0%.


Alunos


Um destaque do relatório é o crescimento da presença de estudantes mais velhos. Entre 2013 e 2023, a faixa etária com maior aumento nas matrículas foi a de pessoas com 60 anos ou mais: nos cursos presenciais, crescimento de 22%, sendo a única faixa a apresentar aumento; no EaD, o crescimento foi de 672%, 154 pontos percentuais acima da segunda faixa com maior expansão.


A concentração de matrículas em grandes instituições privadas também se intensificou. Em 2013, 3,4% das mantenedoras concentravam 52,5% das matrículas; em 2023, 3,5% passaram a concentrar 69,4%, aumento de 16,9 pontos percentuais. Isso aponta para maior concentração de mercado e impactos na concorrência e nos valores das mensalidades.


O financiamento estudantil, todavia, segue aquém de períodos anteriores. Tanto o FIES quanto o Prouni registram redução no número de benefícios e vagas efetivamente preenchidas, dificultando o acesso de estudantes de baixa renda ao ensino superior.


O percentual de ingressantes com FIES teve aumento de 0,1 ponto percentual, enquanto o financiamento reembolsável ofertado pelas próprias IES cresceu 0,3 ponto percentual. Já o Prouni apresentou queda de 0,2 ponto percentual, e as bolsas institucionais tiveram redução de 3,6 pontos percentuais. Em 2024, foram assinados cerca de 22 mil contratos do FIES e ofertadas mais de 651 mil bolsas do Prouni, muitas delas não preenchidas.


As transformações tecnológicas e as mudanças no mercado de trabalho exigem maior inclusão, modernização e fortalecimento das políticas públicas educacionais.


Instituições


O número de Instituições de Ensino Superior (IES) apresentou leve queda de 0,6% entre 2022 e 2023: redução de 0,8% na rede privada e aumento de 1,3% na pública. As instituições privadas representam 87,8% do total. Entre elas, 65,1% têm fins lucrativos, com crescimento de 1,7% nessa categoria. Na organização acadêmica, 79,1% das IES privadas são faculdades, enquanto 36,7% das instituições públicas são universidades.



Quanto ao porte, as IES de pequeno porte continuam predominando: representam 82,2% das instituições privadas e 35,7% das públicas. Já as instituições gigantes, com mais de 20 mil matrículas, correspondem a 3,5% das privadas e 14,1% das públicas. Embora sejam apenas 4,8% das IES, concentram 65,4% das matrículas.


No total de matrículas por estado, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro concentram 42,1% dos estudantes do ensino superior. Santa Catarina possui o maior percentual de alunos em IES privadas (87,0%), enquanto o Rio Grande do Norte apresenta 57,5%, sendo o único estado com menos de 60% das matrículas na rede privada.


Por área de formação, “Negócios, Administração e Direito” reúne o maior número de estudantes (2,74 milhões). Já a área de “Serviços” apresenta o maior percentual de alunos em instituições privadas (90,1%).


A taxa de escolarização líquida segue baixa: apenas o Distrito Federal supera a meta de 33% prevista no Plano Nacional de Educação para jovens de 18 a 24 anos. A média nacional é de 19,9%, e mais da metade dos estados permanece abaixo desse índice.


Entre os concluintes, houve queda de 2,5% nos cursos presenciais de 2022 para 2023 (redução de 6,1% na rede privada e aumento de 6,8% na pública). Na EAD, os concluintes cresceram 22,2% (22,3% na rede privada e 19,5% na pública), sendo 96,5% oriundos da rede privada.


O número de cursos presenciais caiu 1,0% entre 2022 e 2023, enquanto os cursos EAD aumentaram 14,9%. A rede privada oferta 70,0% dos cursos presenciais e 93,7% dos cursos EAD.


Evasão


No ciclo de 2019 a 2023, a taxa de desistência total na rede privada chegou a 61,3%, chegando a 64,1% nos cursos EAD. Quanto maior o porte das IES, maior a evasão: 64,6% dos alunos dessas instituições desistem antes de concluir o curso.


Entre os cursos com maiores taxas de desistência, destacam-se Engenharia (65,2%) e Direito (57,3%) na rede privada. A elevada evasão em Engenharia preocupa o mercado de trabalho, diante de um déficit estimado de 75 mil profissionais no país. Nos cursos EAD da rede privada, 70,7% dos estudantes de Administração não concluem a graduação, enquanto Pedagogia registra evasão de 54,2%.


Enfim, o conjunto desses dados revela um cenário de expansão do ensino superior, fortemente sustentado pela rede privada e pelo EaD, mas marcado por desafios persistentes de acesso, permanência, financiamento e qualidade. O avanço tecnológico, as transformações do mercado de trabalho e as demandas sociais exigem políticas públicas mais eficazes, capazes de ampliar oportunidades e reduzir desigualdades no sistema educacional brasileiro.


Veja no arquivo do Semesp a lista dos cursos de graduação mais procurados por turno, tanto na rede privada quanto na rede pública. O documento também explicita os cursos presenciais, os cursos EaD e esmiúça todos os dados por estado da federação. 


A publicação também traz um capítulo especial sobre o Cenário e Tendências dos Cursos Relacionados ao Agrossistema, que reúne dados e análises sobre formações vinculadas à produção integrada, como Agronegócio, Agrocomputação, Ecologia, Meio Ambiente, Meteorologia, Energias Renováveis, Biotecnologia e Ciências Ambientais. A escolha do tema reflete sua relevância econômica e a necessidade de soluções frente às emergências climáticas, em consonância com o foco em sustentabilidade e com a realização da COP30 no Brasil em 2025.


 

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