A importância da auditoria nas instituições de ensino
- Ana Luiza Santos e Edgar Jacobs

- há 1 dia
- 5 min de leitura
A auditoria surgiu da necessidade de confirmação da veracidade dos registros contábeis, especialmente com o crescimento das grandes empresas e com a tributação baseada no lucro evidenciado nas demonstrações financeiras. Historicamente, seu primeiro avanço relevante ocorreu na Inglaterra, ainda no século XIV, com auditorias nas contas públicas, ganhando maior estrutura a partir do século XVIII, quando profissionais passaram a investigar, de forma sistemática, a confiabilidade de documentos e registros.
No século XIX, surge a figura do perito contador, voltada à identificação de erros e fraudes. A partir de 1900, com o desenvolvimento do capitalismo, a auditoria se consolida como profissão. Em 1934, a criação da Securities and Exchange Commission (SEC), nos Estados Unidos, impulsionou significativamente a auditoria ao exigir maior confiabilidade das demonstrações financeiras das companhias que atuavam no mercado de capitais.
No Brasil, o desenvolvimento dessa técnica foi fortemente influenciado por empresas estrangeiras, pelo financiamento internacional, pelo crescimento das empresas nacionais e pela necessidade (no caso governamental) da descentralização administrativa. Destacam-se como marcos a edição das normas de auditoria pelo Banco Central em 1972 e a criação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Lei das Sociedades Anônimas em 1976. Ao longo do tempo, a auditoria brasileira passou a adaptar práticas internacionais às necessidades específicas das organizações nacionais.
Leia mais a respeito do histórico da auditoria no texto publicado na Revista da Faculdade de Ilhéus, Bahia, em 2025, sob o título A importância da auditoria interna em uma faculdade particular, de Eliane Silva de Souza Castro.
Conceito e finalidade da auditoria interna nas empresas privadas
A auditoria interna é um instrumento de controle gerencial que atua por meio da avaliação da eficiência e da eficácia dos controles internos, funcionando como atividade de assessoramento à administração. Sua finalidade é examinar, de forma contínua e sistemática, a integridade da gestão, a observância às políticas internas, às normas legais e a eficiência dos processos organizacionais.
Diferentemente da auditoria externa, que realiza uma revisão global e menos detalhada, a auditoria interna atua de forma aprofundada, acompanhando rotinas, áreas, setores e operações específicas da instituição. Seu trabalho fornece subsídios relevantes para a tomada de decisões, permitindo a identificação antecipada de falhas, erros, desperdícios e irregularidades.
A auditoria é um processo de melhoria e asseguração, no qual um profissional analisa se o que foi realizado na empresa está de acordo com o que deveria ter sido feito, utilizando critérios técnicos como referência.
A empresa possui prática organizacional própria. A auditoria é parte integrante do processo de atestação e regularização, com o objetivo de assegurar a conformidade dessas práticas.
Atualmente, é possível realizar auditorias em diversas áreas. E se inicialmente era voltada para a descoberta de erros e fraudes, a auditoria evoluiu para outros escopos, assumindo formas específicas e especializadas, tratando de focar não só sobre fatos passados, mas também em eventos de prevenção e orientação.
Trata-se de um processo destinado a gerar mais confiança nos interessados em uma organização, projeto ou iniciativa e que têm influência direta ou indireta sobre ela, ou que são afetados por suas ações e decisões. Ou seja, nos chamados stakeholders.
Resumindo: o auditor confronta a situação encontrada com o critério técnico desejado ou necessário; ele compara o que foi feito com o que deveria ter sido feito e o demonstra para o administrador ou gestor.
Importância da auditoria interna nas instituições de ensino superior
As instituições de ensino superior, especialmente as faculdades particulares, operam em um ambiente organizacional complexo, exposto a riscos administrativos, financeiros, contábeis e operacionais. Além de sua função educacional, essas instituições possuem relevante responsabilidade social, sendo agentes fundamentais do desenvolvimento científico, tecnológico e social.
Dessa maneira, a auditoria interna assume papel estratégico. Ela atua como órgão de assessoramento da alta administração, contribuindo para o fortalecimento dos controles administrativos, contábeis e financeiros, bem como para a proteção do patrimônio institucional. Sua presença permite maior transparência, confiabilidade das informações e segurança na gestão.
Ela contribui diretamente para que a instituição alcance seus objetivos, assegurando que políticas, planos e diretrizes estejam sendo corretamente executados. Em uma faculdade particular, seu papel se intensifica diante da necessidade de eficiência, economicidade, credibilidade e sustentabilidade institucional.
A responsabilidade pelo controle interno passa por toda a organização, mas encontra na auditoria interna seu principal mecanismo de avaliação e acompanhamento. A administração é responsável por instituir os controles, enquanto a auditoria interna verifica sua adequação, eficácia e aderência à prática cotidiana.
O trabalho do auditor envolve o levantamento do sistema de controle interno, a verificação de sua aplicação prática, a avaliação da capacidade de identificação de erros e irregularidades e a definição dos procedimentos de auditoria adequados. A eficácia do controle interno é determinante para a confiabilidade das informações e para a qualidade das decisões administrativas.
Nesse sentido, a auditoria interna atua como coparticipante da gestão, fornecendo diagnósticos claros sobre a posição patrimonial, financeira e operacional da instituição, o que se revela essencial para decisões mais conscientes e fundamentadas.
Um exemplo de legislação à qual as instituições de ensino precisam se adequar é a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Um processo de auditoria pode relatar o compliance (ou não) com a lei, fornecendo material de trabalho para os gestores e administradores.
Auditoria interna e prevenção de fraudes
A prevenção e o combate às fraudes constituem um dos aspectos mais relevantes da auditoria interna. Fraudes podem ocorrer em diversos setores da organização e tendem a ser facilitadas pelo avanço tecnológico e pela fragilidade dos controles internos.
Apesar de o auditor não ser um investigador, a auditoria interna atua diretamente na identificação de vulnerabilidades, no fortalecimento dos controles e na implementação de práticas preventivas. Entre as ações que contribuem para a inibição de fraudes destacam-se o monitoramento de canais de denúncia, a integração com a controladoria e o compliance, a realização de auditorias periódicas e inesperadas, auditorias baseadas em riscos, a cooperação com a auditoria externa e o uso de softwares de análise de dados.
Em instituições de ensino superior, a atuação preventiva da auditoria interna é fundamental para preservar a credibilidade institucional, evitar prejuízos patrimoniais e garantir a integridade dos processos administrativos e acadêmicos.
Conclusões
A auditoria interna se consolidou como instrumento indispensável para a gestão das organizações, inclusive das instituições de ensino. Sua função vai além da simples identificação de falhas, assumindo papel estratégico na orientação da administração, na prevenção de riscos e na promoção da transparência.
Ao assegurar a confiabilidade das informações, a observância às normas e a eficiência dos controles internos, a auditoria interna contribui para decisões mais seguras, para a proteção do patrimônio institucional e para o fortalecimento da governança. Em um ambiente educacional que exige qualidade, ética e responsabilidade social, a auditoria interna é um elemento essencial para a sustentabilidade e o desenvolvimento.

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