A inteligência artificial pode alavancar captação de novos alunos nas IES

Ferramentas de Inteligência Artificial (IA) estão presentes em todos os setores, inclusive na educação superior. Os usos são vários: há dispositivos simples como chatbots, softwares de detecção de plágio, aplicativos para verificação de ortografia e gramática, bem como aplicativos mais sofisticados - e também mais controversos - que respondem a questões acadêmicas, atribuem notas, recomendam aulas e até “ensinam”.


Há também a possibilidade de a IA avaliar e pontuar traços da personalidade dos candidatos às vagas nas universidades e estas, cada vez mais, podem usar este tipo de tecnologia para tomar decisões sobre futuras admissões.


Obviamente, à medida que cresce a tecnologia no campus, também aumentam as preocupações: é muito importante que, ao usar algoritmos para pontuar candidatos, prever desempenho de alunos ou fazer alguma análise de suas necessidades financeiras, por exemplo, não se perpetue preconceitos.


Um modelo interessante de uso de Inteligência Artificial é citado no texto How AI Is Infiltrating Higher Education: reporta-se que as universidades de Baylor, Boston e Wake Forest, todas norte-americanas, estão entre as que usam os serviços da empresa canadense Kira Talent, que faz a mediação entre o candidato à vaga e a universidade.


A Kira Talent se define como uma solução de admissão para o ensino superior e oferece um sistema que promete analisar um vídeo enviado pelo próprio aluno e pontuar traços de personalidade e habilidades pessoais do candidato, por meio da Inteligência Artificial. O texto ainda cita uma apresentação da empresa que mostra os candidatos sendo pontuados em uma escala de cinco pontos em áreas como abertura, motivação, simpatia e neuroticismo, o que, neste caso em especial, nos parece bastante controverso.


Outras universidades se utilizam de serviços que avaliam o potencial dos estudantes com base em como eles interagem com o site da escola, com seus chatbots, e respondem às suas mensagens.


Depois de admitidos também não é muito diferente: os alunos continuam a receber mensagens que são, em verdade, mensagens de chatbots personalizáveis e de plataformas de mensagens de texto que vão estimular, encorajar e incentivar aqueles candidatos já aceitos a fazerem suas respectivas matrículas nas faculdades/universidades respectivas.


A Universidade do Estado da Georgia foi uma das pioneiras no uso desses chatbots e afirma que sua versão de IA (chamada ‘Pounce’) contribuiu bastante para a captação de alunos, bem como para o gerenciamento de uma série de serviços/atividades dentro da instituição, como prestar assessoria aos alunos atendendo a milhares de dúvidas desde o seu lançamento em 2016. São atendimentos que contribuem direta e indiretamente para a redução da evasão escolar, inclusive. E em muitos deles os alunos sequer sabiam dizer se estavam travando uma conversa com um assistente humano ou com um assistente virtual, logicamente muito mais barato e sempre disponível.


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Fato é que os estudantes recentemente aceitos pelas faculdades/universidades estão recebendo e-mails e mensagens de texto baseados nas expectativas que depositam nos cursos que pretendem e isto é esperado das instituições. É interessante que suas dúvidas – inclusive sobre questões financeiras – possam ser resolvidas de forma diligente e eficiente por meio de um bom sistema de inteligência artificial, que supera, de forma óbvia, o telefone e o deslocamento até o campus.


Os sistemas devem enviar mensagens prévias, com informações básicas, de interesse coletivo dos candidatos, bem como precisa estar pronto para ser reativo e devolver as respostas às dúvidas dos futuros universitários.


Dependendo de como se constrói o sistema de IA, podem ser usados robôs que tratem as questões de maneira leve, jovial, aproximando-se do comportamento humano e contribuindo em ações de comunicação e publicidade. Esta, no entanto, é apenas uma parte do processo. Tais ferramentas de Inteligência Artificial precisam de dados para poderem realizar suas funções, nesse sentido, ter acesso a informações sobre perfis, hábitos e comportamentos dos possíveis futuros alunos é primordial. Daí, a integração com bancos e armazéns de dados mostra-se necessária para o pleno funcionamento e aproveitamento das capacidades de sistemas de Inteligência Artificial.


Publicidade segmentada a partir de big data


E quando mencionamos a Inteligência Artificial falamos de seu uso em todas as etapas: antes e depois das provas de admissão e dos resultados dos vestibulares. Após as provas e antes das matrículas, a partir de dados obtidos de diferentes fontes (próprias ou de parceiros), as instituições conseguem direcionar ações de captação para pessoas com diferentes perfis e inclinações para conversão utilizando-se de argumentos adaptados para cada perfil.


Há grandes chances, pois, de se maximizar o número de pessoas impactadas pelas ações dos sistemas automatizados no sentido de tomarem a decisão de se matricular. É justamente a publicidade segmentada a partir de big data, ferramenta extremamente útil que, usada adequadamente, pode ajudar na captação de novos alunos.

Ao ter acesso e fazer uso de plataformas de big data, a IES pode se equipar melhor e realizar de maneira mais aprofundada o tratamento de informações que municiem de maneira apropriada as tomadas de decisão sobre suas necessidades para um processo mais preciso e apurado que pode ser também aplicado para capacitar sua força de trabalho.


De forma adicional, o uso de plataformas e sistemas de big data pode ser usado para melhor definir os diferentes públicos-alvo de variadas ações de captação com argumentos de convencimento que podem viabilizar de maneira mais rápida e eficiente a tomada de decisão por parte dos possíveis novos ingressantes.


No Facebook ou no Google, por exemplo, há um grande controle sobre o comportamento e sobre as transações do usuário; estas empresas, então, fornecem uma grande quantidade de informações sobre estes usuários aos anunciantes para que eles possam exibir as campanhas segmentadas.


É assim que ferramentas de IA podem trabalhar a partir de dados sobre as pessoas em sistemas e plataformas de big data: as informações fornecidas são trabalhadas para proporcionar a segmentação de pessoas com base em cliques, resultando em resultados mais objetivos, o que é desejado. Dessa forma, as instituições conseguem fornecer o conteúdo certo no momento apropriado, de forma a proporcionar uma experiência mais interessante para o usuário e, por que não, também para o anunciante.



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