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O Ensino Superior Brasileiro no Education at a Glance 2025

O relatório Education at a Glance 2025, elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), trouxe um panorama abrangente sobre os sistemas educacionais de diversos países e permitiu observar avanços e desafios persistentes da educação brasileira, com especial atenção ao ensino superior. Embora os dados apontem dificuldades relacionadas à evasão, à conclusão dos cursos e às desigualdades educacionais, a análise dos indicadores também revela a relevância das instituições de ensino superior (IES) privadas para a ampliação do acesso à educação e para o desenvolvimento do país.


Nas últimas décadas, o Brasil passou por um processo significativo de expansão do ensino superior. O aumento da demanda por formação acadêmica, aliado às transformações econômicas e sociais, tornou necessário ampliar a capacidade de atendimento do sistema educacional. Assim, as instituições privadas assumiram papel central ao absorver grande parte desse crescimento e ao possibilitar que milhões de estudantes ingressassem no ensino superior em diferentes regiões do país.


Os dados apresentados no Education at a Glance 2025 mostram que ainda existe um importante déficit educacional no Brasil. Entre adultos de 25 a 64 anos, apenas 24% possuem ensino superior completo, enquanto a média dos países da OCDE alcança 49%. Além disso, aproximadamente 27% dos adultos brasileiros não concluíram sequer o ensino médio. Esses números demonstram que a necessidade de ampliação do acesso à educação superior continua sendo uma realidade e reforçam a importância das instituições privadas como parceiras fundamentais para suprir essa demanda.


Ao observar a trajetória recente do ensino superior brasileiro, percebe-se que a expansão das matrículas ocorreu principalmente na educação a distância, especialmente no setor privado. Embora esse movimento costume gerar debates sobre qualidade, é necessário considerar que a educação a distância também representou uma oportunidade concreta para grupos que historicamente encontravam dificuldades para acessar a formação universitária. Trabalhadores, moradores de cidades pequenas, pessoas com responsabilidades familiares e estudantes que enfrentam limitações econômicas passaram a encontrar alternativas mais flexíveis para ingressar em cursos superiores.


As IES privadas contribuíram para reduzir barreiras geográficas e financeiras que por muitos anos restringiram o acesso ao ensino superior. Em diversas localidades do país, especialmente em municípios afastados dos grandes centros urbanos, a presença de instituições privadas permitiu a interiorização da educação e a formação de profissionais em áreas estratégicas para o desenvolvimento regional.


Outro aspecto importante destacado pelo relatório refere-se ao impacto da escolaridade sobre a renda e as oportunidades no mercado de trabalho. O estudo demonstra que indivíduos com ensino superior apresentam rendimentos significativamente maiores em comparação com aqueles que possuem apenas ensino médio. No Brasil, o ganho salarial associado ao ensino superior supera amplamente a média observada nos países da OCDE.


Esse dado reforça que ampliar o acesso à universidade não representa apenas uma política educacional, mas também uma estratégia de desenvolvimento econômico e de redução das desigualdades sociais. As instituições privadas, ao ampliarem o número de vagas disponíveis, contribuem diretamente para aumentar as oportunidades de ascensão social e melhorar a inserção profissional de milhões de brasileiros.


Naturalmente, os desafios apontados pelo relatório não devem ser ignorados. A taxa de evasão no primeiro ano da graduação permanece elevada, e os índices de conclusão dos cursos ainda se encontram abaixo dos parâmetros internacionais. Entretanto, esses problemas não podem ser atribuídos exclusivamente ao modelo institucional privado ou à educação a distância.


Diversos fatores interferem na permanência do estudante, incluindo dificuldades financeiras, necessidade de conciliar trabalho e estudo, limitações de infraestrutura, desigualdades educacionais acumuladas ao longo da educação básica e questões sociais mais amplas. Muitos estudantes que ingressam no ensino superior privado pertencem a grupos que historicamente tiveram acesso limitado à educação, o que demonstra que parte dos desafios está associada à democratização do acesso e não necessariamente à qualidade da oferta.


Além disso, o setor privado tem investido progressivamente em inovação tecnológica, plataformas digitais, metodologias ativas de aprendizagem e estratégias de acompanhamento acadêmico destinadas a reduzir a evasão e melhorar a experiência estudantil. A incorporação de recursos tecnológicos, quando utilizada de forma adequada, pode ampliar possibilidades pedagógicas e tornar o processo educacional mais flexível e acessível.


Outro ponto relevante refere-se à diversidade do sistema educacional brasileiro. O país possui dimensões continentais, profundas desigualdades regionais e realidades socioeconômicas distintas. Diante dessa realidade, dificilmente um único modelo institucional seria suficiente para atender a todas as necessidades existentes. A coexistência entre instituições públicas e privadas permite maior pluralidade de ofertas, metodologias e estratégias educacionais.


A discussão, portanto, não deve estar centrada em estabelecer uma oposição entre os setores público e privado, mas em fortalecer mecanismos que assegurem qualidade acadêmica, inclusão e permanência dos estudantes. A expansão do ensino superior precisa ser acompanhada por políticas que incentivem a melhoria contínua das instituições, a formação docente, a inovação e a garantia de condições adequadas para o desenvolvimento dos estudantes.


Os dados do Education at a Glance 2025 mostram que o Brasil ainda possui um longo caminho a percorrer para aproximar seus indicadores educacionais dos padrões internacionais. Entretanto, também demonstram que avanços relevantes já ocorreram e que a ampliação do acesso à educação superior foi parte importante desse processo. Enfim, as instituições privadas desempenham papel essencial ao ampliar oportunidades, interiorizar a oferta educacional e contribuir para a formação de profissionais e para o desenvolvimento econômico e social do país.


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