Educação Midiática em pauta: conheça o mapa que reúne iniciativas de todo o Brasil
- Ana Luiza Santos e Edgar Jacobs

- há 15 horas
- 4 min de leitura
O Mapa Brasileiro da Educação Midiática (MBEM)[1] é uma iniciativa da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), desenvolvida em parceria com a UNESCO, o Governo do Reino Unido e a Agência Porvir. Seu objetivo é reunir, dar visibilidade e conectar iniciativas de educação midiática existentes em todo o Brasil.
O mapa não é um ranking nem uma certificação de qualidade. Ele funciona como um repositório nacional de experiências, projetos, pesquisas, materiais didáticos e ações de formação relacionados à educação midiática. Segundo a metodologia oficial, a seleção ocorre por meio de chamadas públicas e curadoria, buscando representar a diversidade de iniciativas existentes no país.
Atualmente, o mapa reúne 523 iniciativas, sendo:
226 selecionadas na primeira chamada pública (2023–2024);
297 incorporadas na segunda chamada pública, realizada em 2026.
A plataforma permite a pesquisa das iniciativas por diferentes critérios, como:
estado e município;
tipo de iniciativa (curso, pesquisa, plataforma, projeto, material didático etc.);
público-alvo;
temas (desinformação, inteligência artificial, jornalismo, cidadania digital, segurança na internet, uso consciente de telas, entre outros);
instituição promotora (escolas, universidades, governos, organizações da sociedade civil, coletivos etc.).
Um dos projetos de maior destaque presentes no mapa é o EducaMídia, do Instituto Palavra Aberta, voltado à formação de professores e ao desenvolvimento de competências de leitura crítica, produção e participação no ambiente digital.
O Mapa Brasileiro da Educação Midiática tem três finalidades principais:
dar visibilidade às iniciativas já existentes;
facilitar a articulação entre pesquisadores, educadores, gestores públicos e organizações;
subsidiar pesquisas e políticas públicas voltadas à educação midiática.
O mapa brasileiro da educação midiática e a regulação das plataformas digitais
A crescente influência das plataformas digitais sobre a circulação de informações, a formação da opinião pública e o funcionamento das instituições democráticas trouxe como foco do debate a necessidade de estabelecer mecanismos regulatórios capazes de ampliar a transparência, a responsabilização e a proteção dos direitos fundamentais no ambiente digital. O Mapa Brasileiro da Educação Midiática surge como um importante instrumento complementar à regulação das plataformas.
Embora não possua nenhuma finalidade normativa, o documento demonstra que o enfrentamento dos desafios do ecossistema digital não depende apenas da criação de deveres legais para as empresas de tecnologia. Ao reunir centenas de iniciativas desenvolvidas por instituições públicas, universidades, organizações da sociedade civil e redes de ensino, demonstra que a formação crítica dos usuários constitui um dos pilares da governança digital. Em outras palavras, regulação das plataformas e educação midiática não representam estratégias concorrentes, mas complementares: enquanto a primeira busca disciplinar a atuação dos intermediários digitais, a segunda fortalece a autonomia dos cidadãos para compreender, avaliar e interagir criticamente com conteúdos mediados por algoritmos.
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O mapa como estratégia de combate à desinformação
É fato que a disseminação acelerada de conteúdos falsos, manipulados ou descontextualizados tornou a desinformação um dos principais desafios das sociedades contemporâneas. Embora medidas de moderação de conteúdo e responsabilização das plataformas desempenhem papel relevante, especialistas reconhecem que tais instrumentos, isoladamente, não são suficientes para enfrentar o problema.
O Mapa nos mostra uma mudança de paradigma ao privilegiar estratégias preventivas baseadas no desenvolvimento de competências informacionais, midiáticas e digitais. As experiências reunidas promovem habilidades relacionadas à verificação de informações, identificação de fontes confiáveis, compreensão do funcionamento dos algoritmos, reconhecimento de práticas de manipulação e fortalecimento do pensamento crítico. Dessa forma, o material reforça a compreensão de que o combate à desinformação não deve se limitar à remoção de conteúdos ilícitos ou enganosos, mas também investir na formação de cidadãos capazes de participar do ambiente digital de maneira crítica, ética, consciente e responsável.
A consolidação de políticas públicas de educação midiática
A criação do Mapa Brasileiro da Educação Midiática representa um passo importante na institucionalização da educação midiática como política pública no Brasil. Ao identificar, sistematizar e tornar visíveis iniciativas desenvolvidas em todo o território nacional, o mapa oferece um diagnóstico qualificado sobre experiências, metodologias, públicos atendidos e áreas ainda carentes de atuação.
Além de funcionar como um banco de boas práticas, o MBEM subsidia a formulação de políticas públicas baseadas em evidências, permitindo aos gestores identificar lacunas regionais, fomentar parcerias entre diferentes instituições e orientar investimentos em formação docente, produção de materiais pedagógicos e desenvolvimento de programas educacionais. Dessa forma, o mapa ultrapassa a função de simples catálogo de iniciativas e consolida-se como um instrumento estratégico de planejamento estatal, contribuindo para a construção de uma política nacional de educação midiática voltada ao fortalecimento da cidadania digital, da participação democrática e da resiliência da sociedade frente aos desafios do ecossistema informacional contemporâneo.
Além disso, o Mapa Brasileiro da Educação Midiática integra uma estratégia nacional mais ampla de fortalecimento da educação midiática, funcionando como instrumento de apoio à implementação dos currículos de educação digital e midiática na educação básica. Elaborado a partir de um processo colaborativo que envolveu consulta pública, escolas, universidades, organizações da sociedade civil e órgãos governamentais, o mapa evidencia a consolidação da educação midiática como política pública estruturante para a promoção da cidadania digital.
Finalizando: iniciativas vinculadas a diferentes tradições teóricas como a educomunicação, a mídia-educação, a alfabetização midiática e informacional e a própria educação midiática foram reunidas para oferecer subsídios para gestores, pesquisadores e educadores, demonstrando que a formação crítica vai além do enfrentamento da desinformação.
As experiências mapeadas contemplam também a prevenção de violências no ambiente digital, o fortalecimento da autoria e do protagonismo de estudantes e educadores e o desenvolvimento de práticas pedagógicas adaptadas às distintas realidades socioculturais do país. Nesse quadro, o Mapa Brasileiro da Educação Midiática consolida-se não só como um repositório de boas práticas, mas como um instrumento estratégico de articulação institucional, produção de conhecimento e fortalecimento das políticas públicas voltadas à educação midiática e à construção de uma cidadania digital crítica, inclusiva e democrática.
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[1] Essas informações têm como base o Mapa Brasileiro da Educação Midiática, iniciativa da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), desenvolvida em parceria com a UNESCO, o Governo do Reino Unido e a Agência Porvir. Disponível em: https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/educacao-midiatica/mapa

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