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Pisa 2025: o que os resultados revelam para a educação

há 11 minutos
5 min de leitura

Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes ajudam a compreender os desafios da aprendizagem no Brasil e levantam questões sobre currículo, práticas pedagógicas e uso da tecnologia. Embora o país tenha reduzido a distância em relação à média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nas últimas duas décadas, o desempenho dos estudantes continua abaixo dessa referência em leitura, matemática e ciências.


Na edição de 2025, o Brasil obteve 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. A média dos 23 países da OCDE considerados na comparação foi de 466, 469 e 486 pontos, respectivamente. Em matemática, a diferença chegou a 92 pontos. Pela referência utilizada no Pisa, segundo a qual 20 pontos correspondem aproximadamente a um ano de escolaridade, essa distância equivale a cerca de 4,6 anos.


Desde 2006, a diferença entre o Brasil e a média dos países da OCDE caiu de 102 para 58 pontos em leitura, de 131 para 92 em matemática e de 113 para 77 em ciências. A comparação de longo prazo indica avanços brasileiros nas três áreas. Nos resultados mais recentes, porém, o desempenho do país permaneceu praticamente estável em relação a 2022, o que mostra que a evolução acumulada ainda não se traduziu em uma melhora significativa nos últimos ciclos da avaliação.


A avaliação reuniu cerca de 760 mil estudantes de 91 países e economias. No Brasil, participaram 30.140 alunos, dos quais 72,4% estavam matriculados em escolas estaduais e 84,7% cursavam a primeira ou a segunda série do ensino médio. Aplicado a estudantes de 15 anos, o Pisa verifica a capacidade de utilizar conhecimentos de leitura, matemática e ciências em situações da vida real.


Aprendizagem e acompanhamento pedagógico


Os resultados reforçam a importância de avaliar não apenas a transmissão de conteúdos, mas também o que os estudantes conseguem fazer com aquilo que aprenderam. Interpretar informações, formular estratégias e resolver problemas são habilidades que exigem oportunidades de aplicação e acompanhamento ao longo da trajetória escolar.


Nesse trabalho, avaliações periódicas podem ajudar a identificar dificuldades antes que elas comprometam a aprendizagem de conteúdos posteriores. A análise dos resultados permite ajustar atividades, retomar conceitos e planejar intervenções de acordo com as necessidades de cada turma.


O Pisa não oferece um diagnóstico individual de cada escola. Seus dados, porém, ajudam a contextualizar os desafios nacionais e podem contribuir para discussões sobre currículo, avaliação e práticas de ensino.


Os efeitos da pandemia

 

Entre 2018 e 2025, o Brasil superou, em ciências, a pontuação registrada antes da pandemia de covid-19. Em leitura e matemática, as perdas no período foram menores que as observadas, em média, nos países da OCDE.


A recuperação foi desigual entre as áreas, e os resultados ainda apontam dificuldades importantes, sobretudo em matemática. O quadro reforça a necessidade de verificar se os alunos dominam os conhecimentos necessários para avançar e se as estratégias de recuperação adotadas estão produzindo os resultados esperados.


Tecnologia a serviço da aprendizagem

 

O Pisa 2025 incluiu o domínio “Aprendizagem no Mundo Digital”, voltado às competências relacionadas ao uso de ferramentas tecnológicas para aprender e resolver problemas.


No componente de Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais (RPFC), o Brasil obteve 406 pontos, abaixo da média de referência de 500 pontos da OCDE. Os resultados sobre processos de aprendizagem autorregulada ainda estão previstos para 2027.


Esses dados ampliam a discussão sobre a presença da tecnologia na educação. Disponibilizar equipamentos e plataformas não garante melhores resultados: é preciso definir objetivos pedagógicos, preparar os professores e avaliar se os recursos contribuem para o desenvolvimento das competências previstas.


A tecnologia pode apoiar pesquisas, atividades colaborativas e resolução de problemas, mas sua adoção precisa estar vinculada às necessidades de aprendizagem, e não apenas à disponibilidade de novas ferramentas.


Celulares e ambiente escolar


O levantamento também identificou mudanças nas regras para o uso de celulares. No Brasil, 81% dos estudantes avaliados frequentavam escolas com restrições a esses dispositivos, ante 37% em 2022. A média da OCDE em 2025 foi de 49%.


Os dados foram coletados após a aprovação da Lei nº 15.100/2025, que estabeleceu regras nacionais para o uso de aparelhos eletrônicos pessoais nas escolas de educação básica.


O Pisa aponta uma relação entre as restrições e a menor probabilidade de os estudantes relatarem distrações provocadas por dispositivos digitais. Isso não comprova, por si só, que limitar os celulares melhora o desempenho acadêmico. O desafio é estabelecer regras claras, orientar estudantes e famílias e definir em quais situações os aparelhos podem ser utilizados com finalidade pedagógica.


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Interesse e participação dos estudantes


Em 2025, 72% dos estudantes brasileiros disseram ter interesse por diversos assuntos, e 59% afirmaram se esforçar mais diante de desafios. A proporção dos que consideram a escola uma perda de tempo caiu para 16%, abaixo da média de 24% da OCDE.


O levantamento também identificou uma associação entre a valorização da educação e o desempenho em ciências. No Brasil, estudantes que reconhecem a importância da educação e não consideram a escola uma perda de tempo obtiveram, em média, 35 pontos a mais do que os demais.


Embora essa relação não demonstre que a atitude dos alunos seja a causa do desempenho, ela destaca a importância do envolvimento com a vida escolar. A clareza dos objetivos de aprendizagem, as devolutivas dos professores e a participação nas atividades são aspectos relevantes para compreender a experiência dos estudantes.


Educação ambiental e trabalho coletivo


O Pisa também investigou a percepção dos jovens sobre questões ambientais. No Brasil, 84% dos estudantes acreditavam poder produzir impactos positivos para o meio ambiente; 87% demonstraram confiança na ação coletiva para enfrentar problemas ambientais; e 77% afirmaram saber trabalhar em grupo para promover mudanças positivas. Os três indicadores ficaram acima das médias da OCDE.


Esses resultados podem servir de referência para projetos que integrem diferentes áreas do conhecimento e aproximem os conteúdos escolares de questões concretas. Atividades de investigação, análise de problemas locais e trabalho em equipe oferecem oportunidades para desenvolver competências científicas e de colaboração.


Dos dados às decisões pedagógicas


O Pisa apresenta um panorama internacional, mas não determina uma solução única para os desafios da educação. Sua contribuição está em oferecer referências para examinar prioridades: quais habilidades precisam de maior atenção? Os instrumentos de avaliação permitem identificar dificuldades? A formação docente acompanha as necessidades do currículo? Os recursos digitais estão sendo utilizados com objetivos definidos?


As respostas dependem das evidências reunidas no cotidiano, das condições de ensino e das características dos estudantes. Os resultados internacionais ajudam a contextualizar essas decisões, mas precisam ser analisados em conjunto com avaliações e informações locais.


O Pisa 2025 mostra que o Brasil diminuiu a distância em relação à OCDE, mas continua enfrentando dificuldades para assegurar a aprendizagem esperada. Para a educação, o desafio é transformar as informações da avaliação em escolhas pedagógicas concretas, com atenção ao que os estudantes efetivamente aprendem e à capacidade de aplicar esse conhecimento em diferentes situações.

 

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